Conclusão primeiro: o armazenamento em armazém para exportação de castanha de caju do Brasil se resume a duas linhas no livro. Se a classificação sair errada, o valor de um contêiner inteiro desaba na última milha. Se a rancidez ficar fora do plano, tudo o que foi feito antes é desperdiçado. Não sou cientista de alimentos. Implemento sistemas de armazém, e já vi essa falha três vezes, sempre com o mesmo roteiro: bom produto, livro bagunçado.

Por que o livro de armazenamento para exportação de caju tem só duas linhas: classificação e rancidez

O país do caju no Brasil é o Nordeste: Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí fazem a maior parte do trabalho. A cadeia vai do pomar à planta de processamento e, depois, da planta ao porto. Colhe-se a fruta, tira-se a castanha, seca-se, transporta-se de caminhão até a planta, cozinha-se a vapor, descasca-se, seca-se de novo, classifica-se, embala-se, armazena-se e embarca-se. Cada etapa deixa evidência para a próxima ou deixa problema para ela.

O valor vaza em dois pontos. Primeiro, as classes misturadas. Os compradores pagam por classe, e se a parcela de amêndoas de classe inferior em um lote passar do que foi acordado, o lote inteiro pode ser reprecificado para baixo ou retido para discussão. Classificação não é concurso de beleza; é a base da liquidação. Segundo, a rancidez é irreversível. Uma vez que a oxidação do óleo se torna perceptível, não há retrabalho que devolva as amêndoas. O único movimento é o rebaixamento. Por isso o plano contra a rancidez tem de ser escrito antes do recebimento, e não depois de uma reclamação.

Há uma entrega que é ignorada mais do que qualquer outra: a passagem do pomar para a planta. Se as castanhas chegaram secas o bastante, se algum saco rasgou, se alguma coisa pegou chuva no transporte: se essas perguntas surgirem só na porta da planta, o retrabalho começa antes mesmo de o processamento começar. A nota de recebimento deve registrar lote, quantidade de sacos e avarias, assinada por ambas as partes antes da descarga. Essa nota é o ponto de partida de qualquer disputa posterior. Sem ela, ninguém consegue provar nada.

O armazenamento em armazém para exportação de caju do Brasil começa classificando pela especificação do comprador, não a olho

O primeiro passo da classificação não é pegar as amêndoas. É abrir a especificação do comprador e confirmar a versão. As especificações mudam de ano para ano, e o mesmo lote pode ser classificado de forma diferente para compradores diferentes. Se a versão da especificação estiver errada, a classificação cuidadosa depois disso continua errada.

A sequência de trabalho é esta:

  1. No recebimento, verificar juntos a versão da especificação e o número do lote. O número do lote entra no sistema e no rótulo físico. Um número de lote escrito só na caixa externa é o mesmo que nenhum número de lote depois que a caixa é aberta.
  2. Classificar pela especificação do comprador, usando os conceitos padrão de amêndoas inteiras, amêndoas quebradas e faixas de tamanho. Manter as classes fisicamente separadas. Os pedaços quebrados escorrem para o monte de amêndoas inteiras mais facilmente do que qualquer um admite, por isso coloque um recipiente separado de cada lado da mesa de seleção e transforme a separação em reflexo.
  3. Selar uma amostra retida de cada classe, marcada com lote, data e o nome do classificador. Quando uma reclamação chegar, verifique primeiro a amostra em vez de discutir de memória.
  4. Lançar os resultados da classificação no sistema no mesmo dia: as quantidades por classe, o lote e o local de armazenamento devem bater antes do fim do turno. Números lançados na manhã seguinte nunca reconciliam.

Dois anos atrás, em setembro, uma planta de médio porte no Ceará embarcou um lote em que as amêndoas inteiras e as quebradas não tinham sido totalmente separadas. No armazém do comprador, a amostragem encontrou a parcela de quebradas acima do limite acordado, e o lote ficou parado quatro dias enquanto os dois lados discutiam. A solução foi a reclassificação manual, que custou mão de obra e quase custou o embarque. A revisão encontrou a causa real: a mesa de seleção tinha um único recipiente, de modo que os selecionadores jogavam os pedaços quebrados no monte de inteiras sem pensar. O problema era o desenho do posto de trabalho, não as pessoas.

Um livro de classificação afixado ao lado da mesa de seleção mantém isso honesto: uma linha por classe, a especificação escrita como uma ação executável (peneirar ou selecionar à mão), as quantidades contadas por saco e o local até o palete. Se essa linha for vaga, recebimento, separação de pedidos, expedição e tratamento de reclamações viram um exercício de busca.

Três barreiras contra a rancidez: umidade, oxigênio, temperatura

O controle da rancidez tem três barreiras: umidade, oxigênio e temperatura. Segure bem duas delas e você já ganhou a maior parte da batalha.

A umidade é a primeira barreira. Os limites de umidade para amêndoas de caju seguem a especificação do comprador, por isso não os adivinhe pela experiência. Meça no recebimento, depois meça de novo antes do ensacamento e lance os dois resultados no sistema. Uma única medição mal é melhor do que nenhuma, porque a umidade continua se movendo durante a secagem e o armazenamento.

O oxigênio é a segunda barreira. As selagens dos sacos precisam de inspeção por amostragem, não só de uma luz verde na máquina de selar. A verificação simples funciona: pegue alguns sacos aleatoriamente, aperte e observe a linha de selagem em busca de rugas e falhas. Os sacos abertos para inspeção são marcados separadamente e nunca voltam discretamente para o lote.

A temperatura é a terceira barreira, e aqui está a parte contraintuitiva: o pior dano muitas vezes não vem do calor, mas das oscilações de temperatura. No ano passado, uma cooperativa no Rio Grande do Norte moveu mercadoria direto do armazenamento refrigerado para o carregamento de contêineres em temperatura ambiente, e formou-se condensação dentro dos sacos. Dias depois, as amêndoas cheiravam mal. A câmara fria não teve culpa; o passo que faltava era um período de adaptação. A solução é simples: depois de sair do armazenamento refrigerado, mantenha a mercadoria em uma área sombreada e ventilada por tempo suficiente para que a temperatura dos sacos se aproxime da ambiente antes do carregamento, e evite abrir as caixas no meio do trajeto.

Um compromisso tem de ser resolvido de antemão. Uma classificação mais fina dá faixas de preço mais limpas, mas custa mais mão de obra e tempo; uma selagem mais hermética protege contra a rancidez, mas dificulta a inspeção e o retrabalho. Não há resposta perfeita, só uma escolha ajustada às exigências do comprador e ao valor da mercadoria. Para as classes de alto valor, gastar mão de obra com uma classificação mais fina compensa. Para as classes de volume, uma classificação boa o bastante basta, e o esforço pertence à selagem e à disciplina do primeiro a entrar, primeiro a sair.

A lista de verificação da véspera: 48 horas antes do embarque

Antes de cada entrada em operação de sistema, executo uma lista de verificação da véspera, e o embarque merece o mesmo tratamento. No armazenamento em armazém para exportação de caju do Brasil, a etapa do embarque não se vence com esforço, mas com cada item desta lista marcado 48 horas antes do carregamento:

  1. Versão da especificação do comprador confirmada, e faixas de classificação de acordo com ela.
  2. Amostras retidas seladas, com os registros de amostra no sistema.
  3. Números de lote idênticos no sistema, nos rótulos físicos e nas caixas externas.
  4. Primeiro a entrar, primeiro a sair verificado, de modo que os lotes anteriores embarquem antes dos posteriores.
  5. Inspeção por amostragem das selagens feita, e sacos inspecionados marcados separadamente.
  6. Ambos os resultados de umidade lançados, com os lotes fora da especificação isolados.
  7. Registros de temperatura e umidade contínuos, sem lacunas, e tempo de adaptação após o armazenamento refrigerado reservado.
  8. Paletes, locais e ordem de carregamento planejados, para que ninguém procure estoque durante o carregamento.

Três falhas clássicas merecem mais uma menção: números de lote escritos só nas caixas, que somem quando as caixas são abertas; primeiro a entrar, primeiro a sair escrito em um quadro na parede em vez de no sistema, o que significa que o palete mais próximo embarca primeiro sempre que as coisas apertam; e lacunas nos registros de temperatura, que deixam você sem evidência quando algo dá errado, e a responsabilidade cai sobre você.

Mantenha o livro em ordem e a mercadoria mantém seu valor. A classificação é o piso da liquidação, e o controle da rancidez é o teto que a protege. Quando as duas linhas se sustentam, a operação de exportação também se sustenta. Da próxima vez que um lote brasileiro aparecer, faça três perguntas antes de falar de datas de embarque: a versão da especificação está certa, as amostras estão seladas e o tempo de adaptação está reservado? Se as três tiverem respostas claras, o embarque está pronto para seguir.

Por Lin Xiao, Consultor de Implementação de WMS

Traduzido do inglês. Em caso de divergência, prevalece a versão em inglês.