Deixa eu te contar uma coisa. São quinze anos rodando nessas estradas, e o que eu mais temo não é o trânsito. É chegar ao portão de um armazém e não encontrar ninguém para carregar meu caminhão — e ultimamente, com a dificuldade de contratar operadores de empilhadeira, isso acontece mais do que você imagina.
Dois outonos atrás, levei uma carga para um armazém em Fontana. Cheguei às sete da manhã e o guarda me disse que havia três caminhões na minha frente: entre na fila. Tudo bem. Esperar faz parte do trabalho. Mas aquela espera se esticou até às duas da tarde. O cara na minha frente finalmente desceu para perguntar o que estava acontecendo, voltou e disse: dois dos operadores de empilhadeira deles tinham pedido demissão na mesma semana, e um garoto tinha ficado sozinho fazendo descarga e carregamento, trabalhando até o esgotamento.
O patrão andava de um lado para o outro perto do portão, desabafando com a gente, os motoristas. Há dois meses ele estava tentando, e a contratação de operadores de empilhadeira não tinha rendido nada. Os que apareciam ou não aguentavam o turno da noite ou pediam demissão depois de dois dias dizendo que o trabalho era duro demais.
Sentado na minha cabine, vendo aquele garoto ir e vir com a empilhadeira, entendi: nós, caminhoneiros, sempre reclamamos da falta de motoristas, mas comparado a achar bons operadores de empilhadeira, contratar motoristas é a parte fácil. Bons motoristas são difíceis de achar. Bons operadores de empilhadeira são mais difíceis — e ainda mais difíceis de manter.
Por que é tão difícil contratar operadores de empilhadeira
Esta é a verdade honesta. Dirigir um caminhão: tira a carteira, aprende a dar ré, lê a estrada, e você pode rodar em qualquer lugar. Uma empilhadeira é outro bicho. Parece pequena. Não se deixe enganar: há tanto ofício nela quanto numa carreta de dezoito rodas.
Dar ré num corredor estreito de racks, julgar a altura do garfo no tato, saber até onde entrar num palete — tudo isso é sensibilidade. Um novato leva duas horas para carregar uma carreta e os paletes saem tortos. Um veterano faz em quarenta minutos, empilha retos como uma régua, e não se mexem um centímetro depois de quinhentas milhas de estrada. Os embarcadores nem sempre veem essa diferença. Nós, motoristas, vemos no segundo em que as portas se abrem do outro lado: a forma como a carga viajou conta tudo sobre as mãos que a carregaram.
E é isso que torna difícil. O trabalho exige habilidade, paciência e uma coluna forte, tudo ao mesmo tempo. Os armazéns congelam no inverno e assam no verão. Os turnos da noite moem as pessoas. A poeira, o barulho, o desgaste físico — os jovens preferem entregar comida, e as costas e os pescoços dos veteranos acabam cedendo.
O salário? Conversei com donos de armazém daqui. Operadores de empilhadeira ganham algo entre o fim dos dezessete e o meio dos vinte e poucos dólares por hora, um pouco mais para uma mão experiente. Não parece terrível — até um garoto jovem fazer as contas e perceber que os motoristas de caminhão de empresa ganham mais ou menos o mesmo sem respirar poeira de armazém o dia todo. Então ele vai e tira a carteira CDL. Essa é a primeira armadilha na contratação de operadores de empilhadeira: o salário fica no meio — não o suficiente para se gabar — enquanto o trabalho continua carregando aquela fama de "sem futuro".
Contratar um veterano ou formar os seus? A conta de contratar operadores de empilhadeira
Há um armazém em San Bernardino para onde vou com frequência. Eles têm lá um operador de empilhadeira — vamos chamá-lo de Old Ray — indo para dez anos. Quando o Ray está me carregando, espero de bom grado uma meia hora a mais. Por quê? As cargas dele nunca me dão problema. Paletes empilhados como rocha, o pesado embaixo, o leve em cima, o frágil no seu próprio lugar. Uma vez transportei para eles uma carreta de cristais e estava com o estômago embrulhado. O Ray bateu na porta e disse: "Se quebrar uma peça sequer, você volta e me procura." Quinhentas milhas depois, nenhuma peça quebrada.
O patrão dele me contou que o Ray ganha um par de dólares a mais por hora do que a média, recebe um mês extra de bônus todo ano e ganha um auxílio para cada aprendiz que forma. Dez anos, e o Ray não se mexeu.
O armazém do lado? Outra história. Equipe nova de empilhadeira a cada poucos meses. Racks destruídos pelos novatos — um deles derrubou uma baia inteira uma vez. O patrão nunca me disse quanto aquilo custou, mas por semanas depois, a fila de caminhões esperando no portão deles chegava até a rua.
Vamos fazer as contas:
| Contratar um veterano | Formar os seus | |
|---|---|---|
| Custo | Alguns dólares a mais por hora — alguns milhares a mais por ano | Semanas de mentoria; baixa produção e erros caros enquanto o novato aprende |
| Tranquilidade | Produtivo desde o primeiro dia, qualidade de carga estável | Um mês ou dois até serem confiáveis, com o coração na mão o tempo todo |
| Risco | Um veterano ainda pode ser levado por uma oferta melhor | Você os forma e eles pulam para outro lugar por melhor salário |
De qualquer jeito, há risco. Mas quinze anos de estrada me ensinaram algo contra-intuitivo: o problema da rotatividade não tem a ver com dinheiro.
O Ray me disse uma vez que já tinha recebido ofertas melhores. Por que ficar? "Meu patrão me trata como gente", ele disse. "Nas reuniões eu sou o Old Ray, não 'o cara da empilhadeira'. Quando minha filha entrou na faculdade, o patrão me passou um envelope vermelho. Turnos da noite — ele me pergunta primeiro se está bom para mim." Escute isso. O que segura um veterano não são dois dólares a mais por hora. É ser tratado como um ser humano.
E aqueles armazéns que trocam de equipe a cada poucos meses? Eu vi como funcionam: supervisores gritando pelo rádio, operadores de empilhadeira xingados como crianças; turnos da noite emendados que quebrariam um homem de ferro; dez anos dentro e você continua sendo "o cara da empilhadeira", sem nada para esperar. Pague quanto quiser — as pessoas não ficam. Todo mundo quer respeito. Isso vale para os operadores de empilhadeira também.

O que faz um bom operador de empilhadeira: esqueça rápido, procure constância
Isso é algo que só os motoristas entendem de verdade. Muitos armazéns contratam vendo a velocidade com que um candidato dirige. Isso está totalmente errado.
Já vi muitos novatos rápidos — pé no fundo, no melhor dos casos racks amassados, no pior um palete caindo do alto e destruindo metade da carga. A marca de um bom operador é uma palavra só: constância. Sem racks raspados, sem paletes esmagados, cargas bem apertadas, carga tratada com cuidado. Constância é o que faz você rápido — o Ray carrega uma carreta em quarenta minutos não porque dirige como um louco, mas porque nunca precisa refazer nada.
Então aqui vão meus três conselhos práticos para donos de armazém, aprendidos na marra na doca de carga:
Primeiro, não olhe só o certificado — veja-os dirigir. Uma carteira só prova que passaram pelo treinamento. A habilidade de verdade se vê em duas voltas: dar ré num corredor apertado, entrar o garfo num palete com limpeza, colocar uma carga no alto sem tremer. Duas voltas contam tudo.
Segundo, segure as pessoas com um futuro, não com promessas. Pague um auxílio para formar aprendizes. Suba o nível salarial com os anos. Dê aos veteranos o lugar que lhes cabe. No armazém do Ray, o crachá de cada aprendiz diz "formado pelo Old Ray" — esse tipo de reconhecimento vale mais que um dólar de aumento.
Terceiro, não programe as pessoas como máquinas. Noites emendadas, jornadas de doze horas — nenhum corpo aguenta. Mãos cansadas ficam descuidadas, e mãos descuidadas descontam nos racks. Guarde o dinheiro das horas extras; faça uma escala com um pouco de humanidade.
Temos um velho ditado neste ofício: caminhões são feitos de ferro, gente é feita de carne. O melhor armazém do mundo não carrega direito se não consegue manter seus operadores de empilhadeira. Cargas ruins deixam os motoristas nervosos. Motoristas nervosos trazem negócios tremidos para o embarcador. É tudo uma corrente só, e as pessoas são o primeiro elo.
Então, donos de armazém: quando se trata de contratar operadores de empilhadeira, não fiquem só olhando o contracheque. Coloquem coração na parte das pessoas — saibam os nomes deles, deem-lhes algo para esperar, programem como se fossem humanos. Segurem um Old Ray, e ele vale por dez novatos.
Foi isso que aprendi esperando no portão. Acredite ou não — a decisão é sua.
Por Shifu Zhao, caminhoneiro veterano (15 anos) Traduzido do inglês. Em caso de divergência, prevalece a versão em inglês.







