Vou ser direto: quando um equipamento que você vendeu no exterior quebra, a solução mais barata não é devolvê-lo à sua fábrica nem procurar uma oficina terceirizada local. É levá-lo para uma zona franca integral para conserto. O equipamento tecnicamente "sai" do país, então nenhum direito é devido; depois de consertado, segue direto de volta ao cliente sem jamais cruzar de verdade a fronteira.

Isso corta para os dois lados. A política só ficou mais favorável — em abril passado, o Conselho de Estado da China aprovou medidas aduaneiras que ampliaram consideravelmente o canal do reparo alfandegado. Mas os requisitos de livros e de baixa são brutalmente rigorosos. Erre na contabilidade e cada dólar de direito que você economizou volta, com multas. Já vi empresas demais sorrindo pela economia fiscal na entrada e sendo esmagadas na hora da baixa.

Como a política de reparo alfandegado se flexibilizou

O modelo mental da maioria sobre o reparo alfandegado está preso no passado — "só produtos eletromecânicos, e com aprovação". Esse mundo acabou.

Em 14 de abril de 2026, o Escritório-Geral do Conselho de Estado encaminhou as novas medidas da Administração-Geral das Alfândegas para modernizar as zonas francas integrais. Enterrada ali há uma cláusula de reparo alfandegado: produtos de exportação fabricados no país e suas peças de reposição podem entrar numa zona franca vindos do exterior para conserto e sair de volta — sem nenhuma restrição de catálogo de produtos de reparo nem da lista de importações proibidas de produtos eletromecânicos usados. Essa última parte importa enormemente. Muito equipamento antes estava totalmente vetado desse canal por ter caído na lista negra de máquinas usadas. Esse muro caiu.

Ainda mais prático: os produtos acabados consertados agora podem entrar direto na produção dentro da zona para reexportação. Em julho deste ano, a zona franca de Wuxi fechou o primeiro negócio desse tipo em Jiangsu — as placas processadoras consertadas de um fabricante de eletrônicos foram da bancada de reparo direto para uma linha de montagem dentro da zona e saíram como unidades acabadas, sem reentrada nem ressaída. A conta da empresa: tempo de fluxo cortado em 90%, custo logístico reduzido em mais de 90%. Os dados da alfândega de Kunshan confirmam a tendência: o comércio de reparo alfandegado atingiu 3.78 bilhões de yuans nos primeiros oito meses deste ano, alta de 19.8% na comparação anual.

Uma porta segue entreaberta: gestão piloto de lista negativa, e um avanço gradual rumo à venda interna de mercadorias consertadas. Repare na redação — "explorar", "gradual". Esse canal ainda não está aberto. Só o percorra depois de falar com sua alfândega supervisora. Não improvise.

Um buraco que eu vi: o conserto saiu bem, mas as peças velhas não tinham para onde ir

Há alguns anos, um fabricante de equipamentos de embalagem do delta do Rio das Pérolas me procurou para pedir conselho. Suas máquinas estavam instaladas por todo o Sudeste Asiático; algumas quebraram, e ele as levou para a zona franca para conserto. O conserto em si correu sem percalços — placas novas, motores novos, máquinas devolvidas. Todo mundo feliz.

O problema foram as peças retiradas. Placas mortas, motores queimados — dezenas delas, empilhadas num canto da oficina. No livro da alfândega, aquelas peças velhas eram materiais gerados pelo reparo, e a alfândega queria uma resposta: devolver ao exterior? Destruir? Vender no mercado interno e pagar direitos? Ninguém assumiu a pergunta, e a pilha ficou lá por quase um ano. Na hora da baixa, a alfândega fez as contas: unidades que entraram, unidades que saíram, peças consumidas — não batia. Os livros diziam uma coisa, o armazém outra.

O final: procedimentos retroativos, direitos pagos onde devidos, explicação escrita apresentada. O dono me disse: "Se eu soubesse que consertar equipamento também significava gerenciar lixo, eu teria pago mais." A lição: antes que qualquer coisa entre na zona, saiba por onde cada item sai — as máquinas consertadas, as peças velhas, os materiais novos. Não consegue responder? Não envie nada.

A isenção fiscal é real, mas o reparo alfandegado funciona em quatro etapas

Vou traduzir a política para linguagem simples. Equipamentos que entram numa zona franca vindos do exterior para reparo alfandegado:

Primeiro, sem direito de importação nem IVA da etapa de importação na entrada. Uma zona franca fica "dentro da fronteira, fora do território aduaneiro", então o que entra não é uma importação formal — o imposto fica nos livros, sem ser cobrado.

Segundo, os materiais de reparo também entram sob caução. Peças de reposição compradas no exterior, peças compradas no país (tratadas como exportações, elegíveis a drawback conforme as regras da alfândega supervisora — confirme localmente), tudo gerenciado dentro do livro.

Terceiro, o equipamento consertado que volta para fora não paga direito de exportação nem gera encargos fiscais internos.

Quarto, os produtos acabados consertados agora podem alimentar direto a produção dentro da zona destinada à exportação — o modelo de Wuxi — sem a viagem de ida e volta pela fronteira.

Parece ótimo, não? Eis a contrapartida: o que você economiza em direitos e tempo de travessia de fronteira, você paga em custo de conformidade. Livros, listas de registro, notas de liberação, baixas — nada é opcional.

Eis as quatro etapas na prática:

Etapa um: registro da empresa. A empresa que faz reparo alfandegado precisa ser uma entidade legal e se registrar junto à alfândega supervisora da zona franca. Nem pense em pegar emprestada a qualificação de outro — a alfândega só reconhece a entidade registrada, ponto final.

Etapa dois: declaração de entrada. O equipamento chega do exterior e é declarado para reparo alfandegado. Mercadorias e materiais entram no livro — no sistema Golden Gate Fase II, esse é o "registro de família" que a alfândega vê, e cada movimento de entrada, saída, transferência ou armazenagem precisa deixar rastro.

Etapa três: o conserto. Feito dentro da zona. Os materiais são somados e descontados no livro; as peças velhas retiradas são armazenadas e contabilizadas separadamente — nunca misturadas com materiais novos. Essa é a lição da história do buraco: peças velhas não são lixo, são uma linha do livro.

Etapa quatro: saída. O equipamento consertado volta para fora; ou, pela nova política, flui para uma linha de produção dentro da zona para processamento e reexportação.

Oficina de reparo de equipamentos dentro de uma zona franca

Peças velhas e resíduos de reparo são devolvidos ao exterior, destruídos ou abandonados conforme os procedimentos aduaneiros.

Uma regra dura: os livros precisam bater com a realidade. Desde 1 de janeiro de 2025, os livros de logística alfandegada enfrentam gestão de baixas, com registros devidos em até 60 dias após o fim de cada ciclo. Mesma lógica para os livros de reparo: o que os livros dizem, o armazém precisa ter — uma unidade de diferença exige explicação. Concilie o livro com o estoque físico toda semana. Não descubra o buraco na semana anterior à baixa.

Quando não dá para consertar: faça as contas primeiro

A máquina entra, você abre, está além do conserto. A política dá saídas — cada uma precisa de papelada:

Saída um: devolver ao exterior. Devolva como está, encerre no livro. A opção mais limpa.

Saída dois: abandono. Solicite à alfândega; após aprovação da alfândega e das autoridades competentes, a alfândega assume e dispõe conforme a lei. "Abandono" não é largar na porta — é um processo de aprovação.

Saída três: destruição. Para itens sem valor residual, solicite a destruição — também precisa de aprovação aduaneira, e guarde os registros de destruição.

Dois casos-limite. Força maior — incêndio, enchente, mercadorias que perdem todo o valor — a alfândega verifica e concede baixa isenta de direitos. Negligência na armazenagem — isso é por sua conta: direitos liquidados como importação normal, mais uma explicação. A proteção contra incêndio da sua oficina de reparo não é um detalhe menor.

Agora a comparação em três vias — olhe antes de escolher:

Devolver ao exterior para conserto Reparo em zona franca Oficina de reparo no exterior
Direitos Direito de importação integral + custos do lado da exportação Sob caução na entrada, isento na reexportação Conforme o regime fiscal local
Tempo logístico O mais lento, duas travessias de fronteira Médio, uma entrada/saída de zona O mais rápido, conserto local
Custo de conformidade Baixo Alto (livro + baixas) Médio (registro local)
Convém Equipamentos eventuais, de baixo valor Devoluções frequentes, de alto valor, em lote Um mercado com enorme volume

Meu veredito: dezenas de devoluções de alto valor por ano — o reparo alfandegado compensa. Três ou quatro unidades por ano — faça uma importação normal; o custo de conformidade não se amortiza.

Cinco perguntas antes de começar:

  1. Seu equipamento é um "produto de exportação fabricado no país"? É aí que o dividendo da política se concentra. Equipamento puramente de marca estrangeira entrando para conserto pode receber tratamento diferente — pergunte primeiro à sua alfândega supervisora.
  2. Qual é seu volume anual de devoluções? Pequeno demais, e não vale a pena.
  3. Você tem alguém dedicado ao livro? Se não, contrate um ou retenha um despachante aduaneiro — não deixe um vendedor fazer isso nas horas vagas.
  4. Você sabe para onde irão as peças velhas substituídas e os resíduos? Se não, não envie nada.
  5. Quanto dura o ciclo de reparo? As mercadorias não podem ficar no livro para sempre — saldos adormecidos por muito tempo disparam auditorias.

Responda às cinco, depois aja. Não consegue? Faça a lição de casa primeiro.

Uma última coisa: esta política só vai afrouxar mais — listas negativas, venda interna de mercadorias consertadas, tudo está vindo. Mas quanto mais frouxa a política, mais rigorosa a alfândega fica com os livros. Essa é a regra de ferro dos meus vinte anos. O equipamento entra na zona livre de impostos. O livro? Nem uma linha passa.

Seus livros sobreviveriam a uma visita da alfândega hoje?

Por Lao Mi, veterano da cadeia de suprimentos (20 anos)

Traduzido do inglês. Em caso de divergência, prevalece a versão em inglês.